Defeito que agrada o sultão vira virtude
- 9 de out. de 2018
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Os provérbios revivem episódios do quotidiano e retratam a realidade das vivências. Este provérbio árabe ressuscita algumas das vivências organizacionais, passíveis de lesar directamente a vida e comportamento das equipas.
Sem discutir o significado conceptual de virtude ou defeito, que sabemos serem categorizados a partir de um quadro cultural, existe alguma unanimidade em identificar práticas replicadas nas Organizações como comportamentos desadequados, que fazem perder energia, tempo e recursos financeiros.
Quem lidera equipas conhece de perto a eterna dicotomia de entendimento entre "custo" e "investimento" quando chega o momento de sugerir novas ideias, propor e executar formação contínua e promover desenvolvimento e gestão de talentos da equipa. Contudo, sobre o preço a pagar, resultante de agraciar e recompensar atitudes e práticas desadequadas, creio não haver grande dúvida de que são custos e jamais investimentos.
Neste artigo, associo, em sentido figurado, o sultão à pessoa que tem a responsabilidade de gerir e/ou liderar pessoas que integram a sua equipa. Sabemos que lhe assiste uma tarefa quotidiana desafiante, muitas vezes inconciliável com o agradar a todos em modo e intensidade. Existem, porém, mínimos que devem ser diligentemente analisados e salvaguardados.
São muitos os exemplos de comportamentos desadequados que agradam a quem lidera e que passam a ser legitimamente uma virtude, com custos elevados para a Organização, e passíveis de serem imitados pelo sucesso que granjeiam:
Ausência de responsabilidade
Transferência de responsabilidade
Procrastinação enraizada
Resistência à mudança
Atracção pelo conflito
Comunicação e atitude com base na manipulação
Desenvolver pessoas em meio organizacional e conciliá-las com objectivos e recursos é das tarefas mais complexas que um líder tem pela frente. Sem esquecer que o líder é, também, um ser humano repleto de expectativas, necessidades e emoções.
Sendo uma das tarefas mais complexas, configura-se como uma responsabilidade multifactorial - orientação para as tarefas e orientação para as pessoas. O bom senso e o sentido de rigor e justiça para consigo e pares têm, necessariamente, de estar presentes. O seu papel central na modelação de comportamentos é nuclear. Mais uma vez, não existem respostas certas, mas existem perguntas influentes a fazer:
O que nos move?
Quais os nossos valores?
Quais os nossos objectivos?
Que legado queremos deixar?
Que comportamentos e atitudes são os adequados para a vivência sã e estável da equipa?
Processos simples levam a resultados extraordinários se tomarmos consciência do impacto das nossas acções nos outros e vice-versa.
Tudo se resume a uma questão de escolhas. Nada acontece por acaso.
✍ Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico. ✓ Revisão de texto realizada por José Ribeiro












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