Quem bate num vespeiro deve saber correr
- 25 de set. de 2018
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Os provérbios em modo de advertências são abundantes. Este provérbio africano integra esta categoria e cruza muito bem com “o pior cego é o que não quer ver”.
O comportamento humano é um território fascinante e pleno de particularidades que fazem toda a diferença no quotidiano. A tomada de consciência destas particularidades é, por vezes, residual. Embora não existam receitas para uma vida imperturbável e para relações interpessoais isentas de diferenças, a nossa atitude perante as situações e as pessoas é a tónica diferenciadora.
De todas as situações passíveis de causar absorção de grandes quantidades de energia vital, poderíamos eleger os conflitos como estando numa posição de destaque. Mesmo que entendamos os conflitos em sentido amplo e lhes reconheçamos a utilidade para trocar e gerar novas ideias, há sempre um gasto adicional de energia. Quanto mais não seja pela necessidade de escutar, interpretar, questionar, clarificar, argumentar e, sempre que necessário, confrontar.
Curiosamente, existem contextos e pessoas que teimam em nutrir conflitos, numa ardilosa ânsia de os procurar, criar, adensar e replicar. A agudizada questão levanta-se no processo de os gerir. Estes protagonistas têm uma habilidade para o seu início, mas nem sempre para lidar com a sua continuidade. Extasiam-se com o facto de cutucarem o vespeiro e vangloriam-se de serem corajosos, fortes e destemidos perante os outros – defendem-se frequentemente com expressões icónicas como “a melhor defesa é o ataque”.
Uma postura que pode gerar, como bem se antevê, um clima de tensão manifesta e/ou latente e que cria muitos anticorpos nas relações. A curto e médio prazo, tende a causar forças repulsivas que criam fracturas nas relações e no processo de comunicação. Nas equipas, como é óbvio, este fenómeno consome energia de forma continuada, e os resultados começam a falar por si.
A competência de gerir conflitos deveria ser reforçada na competência de os prevenir. Quem cutuca o vespeiro perdeu-se na hábil inteligência de investir na prevenção, agindo deliberadamente para gerar a confusão. Se assim o faz, deve assumir as consequências inerentes e evidenciar as competências necessárias para lidar com os efeitos. E ter a consciência de que ninguém se deva sentir com responsabilidade para resolver uma situação que foi criada por outros com sentido intencional. Frequentemente, assiste-se nas equipas a este episódio – alguém cutuca o vespeiro e, depois, sem condições para lidar com os efeitos, espera dos outros um auxílio para a resolução das consequências. Creio que, numa vez isolada, todos desculpam e socorrem. Nos comportamentos repetidos, que se padronizam, o socorro pode tardar ou nunca chegar.
Já escrevi aqui que gerir conflitos tem mais de atitude do que de técnica. É um sinal de elevada inteligência emocional perceber o tempo e a oportunidade para resolver conflitos que de facto existem. Criá-los apenas pelo lazer ou travessura já me parece ser outro assunto - que tem o seu tratamento adequado, nomeadamente no domínio da responsabilização.
Sem pretendermos cair em manipulações vãs, recordemos que “se queres colher mel, não dês pontapés nas colmeias” (Dale Carnegie).
Em suma, é tudo uma questão de atitude.
✍ Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico. ✓ Revisão de texto realizada por José Ribeiro












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