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Mudar e melhorar são duas coisas diferentes

  • 11 de set. de 2018
  • 2 min de leitura

Os provérbios falam do exterior e, também, do interior. Talvez relembrem que o interior é o património mais valioso em que investimos na nossa vida e que permanece para memória futura. Este provérbio alemão pode ser um exemplo de abordagem ao património interior, alertando para questões essenciais no sentido de sermos pessoas mais felizes e equilibradas.

Vivemos num mundo acelerado e imediatista em que somos estimulados a análises rápidas e acções velozes. Os paradigmas dominantes dos modelos de sucesso – sem que signifiquem felicidade – estão ancorados em indicadores qualitativos e em sinais exteriores de bens e produtos, que absorvem grande parte do nosso quotidiano. Por vezes, resta pouco tempo e receptividade para a gestão do nosso interior e para o trabalho de fundo de conhecermos as nossas características, capacidades, expectativas, limites e vulnerabilidades.

Talvez por isso existam muitas situações em que face, a contextos de desconforto, tentemos mudar sem que tal se traduza em efectiva melhoria do nosso estado anímico e emocional. Há alguns meses, tive o privilégio de, presencialmente, escutar uma pessoa que abordou uma excelente contextualização sobre mudança e transformação. Falo de Helena Cavacas Veríssimo que, de uma forma muito elucidativa, partilhou que “toda a transformação gera mudança, mas nem toda a mudança gera transformação”.

De facto, é, aparentemente, mais fácil mudar quando algo nos incomoda, em detrimento de fazer um trabalho a montante no domínio do nosso autoconhecimento. De insatisfação em insatisfação, mudamos de contextos, de pessoas, de ideias... Investimos, deste modo, nas respostas certas. Mas parece que a insatisfação teima em persistir. Mudamos, mas não nos transformamos, pois a razão central da insatisfação permanece no nosso interior.

É nesse momento que deveria soar o nosso alarme interno para dedicarmos tempo de qualidade a encontrar e interpretar os motivos. Fazer as perguntas certas em vez de apenas focar nas respostas certas. Apenas a partir das perguntas teremos as respostas que permitirão dissipar o desconforto. É a este processo que corresponde a transformação.

A transformação é um processo que se ancora numa confrontação com o nosso eu, com as nossas expectativas e frustrações sublimadas, com as nossas experiências e memórias arquivadas. Requer, em algumas circunstâncias, uma necessária dose de desapego. Como em todos os processos internos, não se faz num ápice. Precisa de tempo e disposição. E, em alguns momentos, poderemos necessitar de um apoio externo para nos escutar e devolver o nosso discurso. Para que nos consigamos ouvir em diferido.

Acredito que o trabalho a partir de dentro, conhecendo e gerindo o locus de controlo interno, nos permite uma maior estrutura alicerçada. É uma tarefa para a vida, em dois sentidos: durante o percurso da vida e que nos trará qualidade de vida.


Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico. Revisão de texto realizada por José Ribeiro

 
 
 

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