Se há muitos comandantes, o navio afunda
- 28 de ago. de 2018
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Os provérbios, muitas vezes, falam da forma como as “comunidades” se organizam ou de como se deveriam organizar, numa sensata lembrança de que todas as acções têm uma consequência. Este provérbio árabe inscreve-se nesta categoria.
Já escrevi aqui e aqui sobre a questão da liderança, sendo inegável que da sua acção eficaz depende o desempenho das equipas, caso desejemos que se mantenham estáveis e com resultados positivos e gratificantes para todos.
Ainda que a qualidade seja o resultado da participação de todos os elementos da equipa, não podemos escamotear a questão de que existem pessoas no seio das Organizações com responsabilidades de gerir resultados e pessoas. Ser líder é uma arte e um dom que se aprende em contexto, com uma boa dose de energia anímica e com o recurso a uma panóplia de competências sociopessoais. Ainda que as competências técnicas sejam necessárias para o exercício da liderança, continuo, na minha humilde opinião, a considerar que as soft-skills são o factor diferenciador e de sucesso nessa empreitada.
Acima de tudo, aceitar o exercício da liderança é uma responsabilidade, que extravasa o fascínio de ter “mais poder”. Sem menosprezos ou desprestígios de qualquer ordem, poderá ser uma posição para a qual algumas pessoas estarão menos bem talhadas.
E, muitas vezes, insistir neste erro de casting pode produzir, inadvertidamente, uma grande disparidade de atitudes e comportamentos nas equipas, passíveis de criar uma profusão de “comandantes de bancada”. Há tempos, alguém comentava que há equipas onde se cria uma “rádio caserna”, que em nada facilita o trabalho das equipas. Nesta "rádio caserna", todos os elementos consideram ter as competências para difundir informação, em múltiplas frequências, sublimando a autenticada frequência em que todos deviam estar sintonizados.
Quem me conhece sabe que sou uma defensora de ambientes colaborativos, reconhecendo que estimular e apreciar a participação dos elementos da equipa é um processo que produz novos e melhores inputs. O líder tem esta responsabilidade diária, a par da responsabilidade de se comprometer pela rota e pela navegação. Demitir-se desta responsabilidade é o erro crasso que produzem muitos comandantes emergentes – os que estimam a equipa no seu todo, e que à partida não causam mossa, e, lamentavelmente, os que servem os seus únicos interesses, que estão alheados da equipa e que podem ser danosos.
Quando todos querem ocupar – por competência ou falta dela – a posição de comandante, lutando pelo leme, o seu vigor e foco estão apenas centrados em digladiarem-se pelo poder, esquecendo a responsabilidade. E, nessa fracção de tempo, tudo pode acontecer.
Termino, citando Peter Drucker, com uma frase que creio resumir este artigo: “As únicas coisas que evoluem por vontade própria em uma organização são a desordem, o atrito e o mau desempenho”.
✍ Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo AO ✓ Revisão de texto realizada por José Ribeiro












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