Promover a motivação como acção espontânea
- 31 de out. de 2017
- 2 min de leitura

A escrita serve, também, para questionar e arrumar inquietações. Avassalam-me, nos últimos tempos, algumas inquietações galopantes.
Vivemos, sem qualquer dúvida, num contexto e registo digital, e sem menosprezar a sua importância como facilitador de processos, algumas soft skills podem estar comprometidas, ou em vias de extinção, por via da imersão nesse registo.
Não podemos lamentar de falta de literatura sobre estas matérias ou da carência de especialistas que, na qualidade de bons comunicadores, dinamizam workshops, cursos e outros formatos onde partilham as fantásticas novidades sobre o tema. Diria, com alguma acutilância, que apenas ignora quem o, intencionalmente, deseja.
Nestes momentos (in)formativos é, também, recorrente, a partilha de interessante conhecimento sobre os processos de comunicação eficazes, como sendo nucleares para o bom entendimento entre as pessoas, para o desenvolvimento de novas ideias, para a descoberta, gestão e reforço de talentos, entre outras matérias do domínio comportamental.
De entre os vários desassossegos que me preocupam, elejo a motivação. Esta simples palavra, cheia de energia que deveria ser incorporada no nosso património genético, ou seja, ter um carácter idealmente espontâneo, tal como o admirável processo de respirar.
Lamentavelmente, nem sempre é uma prática natural e/ou espontânea, com prejudiciais efeitos para o desenvolvimento das pessoas, comunidades e organizações.
Assiste-se, amiúde, a uma bizarra naturalização:
Fazer algo bem feito todos os dias e ninguém partilhar nada através de um feedbackpositivo
Fazer algo com um erro, por pequeno que seja, e receber um imediato feedback correctivo com tudo (por vezes um misto de comunicação verbal e não verbal desadequada)
Como seres pensantes e protagonistas de acção e mudança, cabe-nos, por responsabilidade, questionar as bizarras naturalizações sob pena de se tornarem dogmas que nos conduzam ao obscurantismo. E neste patamar colocam-se perguntas de lana caprina:
As pessoas motivadas e reconhecidas são capazes de chegar mais longe e melhor?
O feedback positivo desenvolver em simultâneo, a auto e hetero confiança e a autonomia responsável?
Os processos motivacionais genuínos reduzem anticorpos e previnem conflitos?
Os processos de feedback são multiplicadores dos activos organizacionais?
E reflectindo, novamente, no registo digital. Quão desagradável é receber um feedbackcorrectivo bizarramente naturalizado através de um e-mail onde tudo parece falhar – o vocativo adequado, a linguagem utilizada, a semântica, a ortografia e a pontuação.
Assinalemos que, com o passar dos anos, surgem novas teorias e conceitos, novos modelos de abordagem, mas um alerta continua a soar no nosso relacionamento interpessoal – comportamento gera comportamento.
Se considerarmos que motivação gera motivação, poderão coexistir benefícios em promover a motivação como acção espontânea?
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico












Comentários