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Não se esquenta uma casa com a promessa de lenha

  • 16 de jul. de 2018
  • 2 min de leitura


A globalização dos provérbios lembra-nos que a natureza humana se reconhece, independentemente da área geográfica e da cultura vigente. Este provérbio chega-nos do Japão e fala de como reagimos às promessas, que pretendem ser um afago motivacional.

Sabemos, por experiência, que a motivação é uma força invisível que nos move face a algo. Movemo-nos por intenções, por objectivos e por expectativas. Este movimento, que depende essencialmente de nós, é muitas vezes coadjuvado por reforços que surgem do exterior, materializados em pessoas e situações.

Contudo, existem momentos em que os reforços necessitam de ser mais do que palavras, sendo necessário converterem-se em acções. Sabemos, por experiência também, que as palavras são levadas pelo vento. As acções têm existência e ancoram-se. São as chamadas evidências, que se registam nas nossas vivências.

Esta necessidade é sentida a nível pessoal e profissional. Embora a nível pessoal muito possa ser dito, apenas me reporto a nível organizacional, considerando o impacto vital e emocional que este domínio gera no nosso núcleo pessoal.

É uma responsabilidade das Organizações gerar resultados através de acções eticamente sustentadas e com enfoque nas pessoas (as internas e as externas). E por muito que se teime em reproduzir as práticas incrustadas, é fundamental perceber e agir face à mudança. É uma falácia acreditar que se produzem resultados e se fidelizam as equipas com promessas vãs, que nada mais são que engodos.

Podemos enganar as pessoas, mas não as poderemos enganar permanentemente. As pessoas têm memória e têm os seus mecanismos de defesa e reacção. E todo o comportamento gera comportamento.

Poderemos sempre transferir a responsabilidade da falta de motivação para os colaboradores, mas até quando essa fundamentação valerá? Há algumas semanas escrevi aqui sobre os efeitos de não se investir nos colaboradores. Este provérbio refere exactamente a mesma situação.

Se os colaboradores estão integrados numa organização gélida, entendida a temperatura em sentido figurado, creiamos que não serão as palavras vãs que manterão a sua temperatura corporal a níveis que lhes permitam “sobreviver” e produzir com qualidade. Somos seres de necessidades e, embora nos consigamos adaptar a vários contextos, relembre-se que o nosso equilíbrio é um centro operacional.

Porque se desvinculam excelentes profissionais das Organizações? Existem muitos motivos, com toda a certeza. Mas decerto um deles será o esgotamento face a temperaturas agrestes no que respeita ao clima de respeito e qualidade da relação interpessoal, acompanhado de regulares promessas que não passam de grandiosas frases escritas em relatórios para construir uma quimera de cultura organizacional.

Cada Organização é livre de optar pelas suas linhas de acção e ser responsável pelos resultados obtidos.

Em suma, é tudo apenas uma questão de escolhas.

Lisboa, 16 de Julho de 2018



Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

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