Mais fere a má palavra que a espada afiada
- 19 de fev. de 2018
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Apresenta-se um provérbio em formato de friendly reminder. Preocupa-me que prospere uma ingénua indução de considerar que as palavras e as atitudes são passageiras e que não têm efeitos no futuro.
Tenho escrito ao longo do tempo que somos seres de memórias e de significados. Toda a informação é registada e categorizada, com forte componente emocional (ainda que possa ser negada e/ou sublimada).
As palavras e toda a comunicação (não verbal) que as envolvem têm um poder significativo e relevante nas acções, com especial enfoque na qualidade da relação interpessoal e organizacional.
Sem menosprezo de outras análises úteis, torna-se urgente reflectir de que forma se articulam e enformam as palavras em contexto profissional. Por vezes uma “simples” frase escrita num e-mail tem um poder simbólico de estragar um dia animoso de trabalho e de, a curto/médio prazo, condicionar o desempenho profissional.
Partilho frequentemente o desabafo que, que em contexto escolar, nos ensinaram a falar e a escrever, mas que, lamentavelmente, não nos ensinaram a comunicar. E essa lacuna deve ser encarada com uma área de melhoria individual, consciente de que esta dimensão integra a aprendizagem ao longo da vida.
Somos seres de comunicação e estamos sempre a comunicar. Em meio organizacional, no nosso domínio profissional, onde passamos uma significativa parte do nosso tempo, comunicamos permanentemente com o público interno e externo. Algumas pessoas têm, ainda, a responsabilidade acrescida de gerir e liderar pessoas. Sublinhei, deliberadamente, responsabilidade. Na minha óptica, ser líder não é ter mais poder, mas sim ter mais responsabilidade.
E nesta óptica, os líderes devem lembrar o comprometimento de gerirem as palavras, conscientes de que comportamento gera comportamento. Existem momentos em que são determinantes as palavras, como, por exemplo, nos processos de feedback. Prevalecem, muitas vezes, os feedbacks correctivos, profundamente desadequados, rasando, em algumas circunstâncias, o estilo ofensivo. Que efeito se espera obter? Motivação e desempenho?
A má palavra pode ter muitas formas. Por algumas subtilezas (in)conscientes é possível diminuir, subtrair, anular, humilhar. Reitero a questão: que efeito se espera obter? Motivação e desempenho?
Se o desejo da Organização é agregar valor e fidelizar os recursos humanos comecemos pelas palavras. Escolham-se as BOAS palavras, mesmo que o objectivo seja corrigir, admoestar, emendar, aperfeiçoar. Escolham-se palavras positivas que indiquem claramente os aspectos a melhorar, que se foquem em factos em detrimento de opiniões, que alvitrem soluções em detrimento dos problemas.
Porque falamos de relações humanas, não existem receitas. Existem apenas ingredientes, ajustados em função das situações. Tal como Einstein nos relembra “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.
É tão simples ser pessoa. Desafiante é colocarmo-nos no lugar das pessoas. Quando proferimos uma palavra sejamos capazes de nos colocarmos no lugar do outro. Preferiria uma má palavra ou uma espada afiada?
Sandra Dias
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.












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