top of page

Não há que ser forte. Há que ser flexível.

  • 27 de mar. de 2018
  • 2 min de leitura

Os provérbios, felizmente, não têm fronteiras físicas e simbólicas. Este provérbio em concreto chega da China. Desconheço quando foi pensado e/ou traduzido em palavras. O mais importante é que se assume como contemporâneo e que hoje, mais do que nunca, fala de atitude e comportamento perante a vida e perante os outros.


Durante muitos anos, fomos formados e educados para sermos fortes, significando isso, por vezes, ocultar emoções, que eram “tradicionalmente” associadas à vulnerabilidade e fraqueza. Significando, também, que a força era um factor de vantagem e que quem triunfasse nos “braços de ferro” seria o mais preparado para vingar no mundo.


Este padrão pulverizou a nossa vida social e organizacional e criou, deliberadamente ou não, uma fundamentação que legitimou (legitima) comportamentos em que a agressividade, física ou simbólica, é a expressão desta força. Ter a voz mais poderosa, ter a figura mais poderosa, ter as melhores habilitações académicas. Em síntese, ter tudo “mais” que permitiria ascender sobre os restantes. Um padrão muito instintivo, como se pode depreender.


Este padrão perdura até ao dia de hoje, felizmente refutado pela consciência e experiência que ser o mais forte não é, permanentemente, uma vantagem. Em alguns casos pode ser um ardiloso obstáculo para a capacidade de perceber a linha do tempo, de perceber que comportamento gera comportamento e que os seres humanos têm memória.


Parece um lugar comum dizer que vivemos num mundo em mudança. Mas o óbvio transforma-se, por vezes, num lugar comum que tem que ser, recorrentemente, mapeado. Os mais fortes sucumbirão à sua própria fraqueza, isto é, a incapacidade de ver para além dos seus recursos endógenos (os “músculos”), à incapacidade de reconhecer que os seres humanos estão todos ligados entre si e que apenas um contexto colaborativo trará a oportunidade de desenvolvimento e, também, de vinculação.


A flexibilidade pressupõe uma estrutura mental que integra recursos cognitivos, psico-motores e emocionais. A flexibilidade reconhece as emoções e a sua gestão é feita no sentido de criar valor para todas as partes. Na flexibilidade mais do que respostas certas, fazem-se perguntas certas: de que serve ganhar tudo – pela suposta fortaleza – e perder tudo porque se insistiu em quebrar em vez de torcer?


A flexibilidade reconhece a linha do tempo e dota a pessoa da capacidade de comunicar, de gerar empatia, de praticar a escuta activa. Dota a pessoa de reconhecer que existem cedências necessárias para que as relações continuem, que a reciprocidade positiva é algo que desenvolve e que se multiplica.


Praticar a força versus a flexibilidade é uma decisão individual e, mais uma vez, se clarifica que o comportamento é algo que se escolhe com as inseparáveis consequências.

Em suma, é tudo apenas uma questão de atitude.


Sandra Dias


Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

Comentários


bottom of page