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Cada macaco no seu galho

  • 22 de mai. de 2018
  • 2 min de leitura

Ponderei e hesitei no recurso a este provérbio. A decisão de o levar adiante fixou-se, essencialmente, na constatação de que outras opções seriam menos focadas sobre a temática que pretendia abordar. Os provérbios falam de seres vivos e de como a sua vida se desenrola, pelo que abordar um protagonista do reino animal deverá ser lido em sentido figurado.

Nos dias presentes e ao abrigo de uma estranha fundamentação de que as equipas têm que ser polivalentes, parece ter-se perdido a noção da importância de definir responsabilidades e tarefas afectas a cada pessoa. E neste paradigma, que alguns teimam em considerar como positivo, são geradas áreas cinzentas na zona de responsabilidade, com a consequente criação de conflitos latentes e manifestos nas equipas.

Neste contexto há quem considere que pode estar em todos os ramos da árvore, palpitando sobre o que os seus pares executam, e há quem considere que pode estar a fazer presenteísmo num ramo qualquer, pois numa árvore tão preenchida não fará qualquer diferença. Ainda que sejam claras as vantagens de um espírito colaborativo para que as equipas progridam e se gerem momentos de apoio, inter-ajuda, troca de experiência e aprendizagem em contexto de trabalho, existe em paralelo uma vantagem na definição de funções e responsabilidades de cada elemento da equipa, em função das suas competências técnicas e sócio-relacionais.

Há algum tempo atrás escrevi aqui sobre o esvaziamento da responsabilidade nas Organizações, passível de surgir, com mais frequência e intensidade, em cenários em que a gestão de recursos humanos é indeterminada, encontrando eco na ausência de atribuições definidas, dando lugar a uma gestão in loco, mediante as necessidades versusdisponibilidades. E acontecem, nessa circunstância, muitos erros de casting na delegação de tarefas. O critério do “faz quem estiver mais livre” é a primeira etapa para a desordem e desresponsabilização, com danos evidentes na gestão do talento, motivação e satisfação, a par de inspiração para muitos conflitos.

A base de uma equipa posiciona-se na definição de pressupostos que passam pelo respeito e conhecimento das fronteiras funcionais (quem coordena quem, quem reporta a quem, quem faz o quê). A continuidade, maturidade e engagement de uma equipa passa pelo planeamento, como vantagem competitiva para lidar com as ameaças e imprevistos. E num processo de planeamento, a liderança de pessoas ancora-se, também, pela definição da posição de cada elemento da equipa.

Temo que se caminhe para um cenário mítico de especialistas generalizados, em que os profissionais fazem tudo, mas sem profundidade e qualidade. E com um sentimento ao final do dia de que se “apagaram muitos fogos”, se escamotearam muitos sintomas sem que se tivessem analisado e agido sobre as causas. Talvez por esse motivo, e alguns sucedâneos, as equipas se sintam, por vezes, exaustas e desmotivadas.

Existem muitas opções nas Organizações. Não existem opções nem certas nem erradas. Existe sim, a consciência de que por cada opção, se geram os respectivos resultados.

Trata-se, apenas, de avaliar, de forma permanente, e decidir a opção de como será estruturada a árvore e quem ocupa cada galho, para evitar que algum ceda ao peso e acabe por quebrar.

Sandra Dias

Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

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