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Quem trabalha de graça é o relógio

  • 1 de mai. de 2018
  • 2 min de leitura

O dia do Trabalhador é um dia simbolicamente assinalável. Seria uma descura da minha parte que o artigo desta semana estivesse ausente deste protagonista, enquanto agente valioso dos processos de desenvolvimento cultural, social e económico.


Existir um dia específico de celebração só faz sentido se durante os restantes 364 dias do ano se dignifique a sua existência e se reconheça – em teoria e em prática - que os Recursos Humanos são o património mais valioso que uma Organização integra.


Sem pessoas com as competências técnicas e sócio-relacionais os projectos deixam de se executar e/ou estagnam e, em última instância, extinguem-se as Organizações. Ainda que o debate esteja acalorado com evidências de que muitas funções serão substituídas por mecanismos automatizados e robotizados, continuarão a existir (novas e renovadas) necessidades que apenas serão plenamente realizadas por pessoas.


Assistimos nos últimos anos, com algum desassossego, a retribuições cada vez mais baixas em paralelo com um aumento do número de horas de trabalho e à sujeição a condições de trabalho cada vez mais precárias e injustas. Em suma, assiste-se a uma desvalorização da pessoa que executa o trabalho, simbolicamente orientada, muitas vezes, pela forma como se gerem as pessoas em contexto organizacional. A par das retribuições indignas assiste-se amiúde a uma falta de reconhecimento, a mecanismos perversos de desqualificação e opressão com um efeito directamente proporcional na qualidade das tarefas, no engagement, na motivação e no relacionamento interpessoal.

As teorias e os modelos de gestão a que hoje temos acesso trazem-nos claras evidências de que um colaborador se sente alinhado e entrosado com a cultura organizacional quando estão reunidas e integradas condições que lhe permitam desenvolver o seu trabalho com satisfação e motivação. Uma das condições sine qua non passa por uma retribuição congruente com as suas competências e responsabilidades. Assumir que a grande procura em relação à pouca oferta é uma legitimação para o mercado baixar salários é uma péssima opção.


Além do salário financeiro, falamos cada vez mais do salário emocional. Negligenciar ambos é uma estratégia cujos resultados falarão por si mesmos. Mesmo nos contextos em que falamos de equipas sem salário financeiro – por exemplo em projectos de voluntariado – há que ter em consideração que existem outros mecanismos de retribuir o valor do trabalho.


Trabalhar de graça é diferente de trabalhar conscientemente e voluntariamente pro-bono. Devemos evitar, a bem da dignidade da pessoa e do trabalhador, misturar tudo e inquinar o processo.


Antes que se proponha a alguém que trabalhe de graça, urge fazer uma prévia auto-questão “trabalharia eu de graça?”.


O provérbio que hoje apresento é ironicamente clarividente. Ilustra a bem da verdade o que hoje, dia 1 de Maio, se celebra. Tudo o restante é apenas uma questão de atitude. Sobre as atitudes cada um deverá antecipar que resultados deseja obter.


Em suma, é tudo apenas uma questão de opção.

Sandra Dias

Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

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