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Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão

  • 16 de mar. de 2018
  • 2 min de leitura

Os provérbios, na minha opinião, podem ser lidos de formas metafórica e essa característica peculiar traduz-se numa fascinante abordagem que, se explorada de forma holística, pode gerar novos quadros de inteligibilidade.


A casa a que alude este provérbio pode ser entendida em banda larga, desde uma dimensão micro a uma macro. E neste âmbito, a casa pode ser entendida como um núcleo familiar, uma equipa, um departamento, uma organização, um sistema social e cultural.


E o pão pode ser entendido como um conjunto alargado que se pode centrar desde os recursos humanos, físicos e financeiros até ao domínio do conhecimento e da competência.


Na nossa essência de seres humanos temos necessidades, expectativas e opiniões sobre as mais variadas temáticas, criadas com base num conjunto híbrido e integrado de quadros mentais que se ancoram nas crenças, valores e experiências acumuladas ao longo da vida. E todos temos opiniões diferentes que tendemos a fazer valer perante os outros.


Não raras vezes ouvimos para responder e não para entender, uma condição passível de influenciar no processo da escuta activa e da empatia, aptidões sine qua non para que a comunicação flua sem resvalar para a incompatibilidade e afastamento.


Conhecemos a célebre pirâmide das necessidades de Maslow e conseguimos facilmente aferir que a nossa homeostasia depende, muitas vezes, da satisfação de algumas necessidades, sendo que as fisiológicas e de segurança contribuem, numa primeira linha, para um (des)equilíbrio.


O pão, entendido em sentido amplo e/ou restrito, é um elemento que pela sua ausência pode ameçar a nossa homeostasia e influenciar a nossa capacidade para gerir as emoções, ao ponto de deixarmos de discutir o pão para discutirmos as pessoas.


De que pão podemos falar numa Organização, cuja ausência alimentará a discórdia em vez da satisfação e motivação? Embora a lista possa ser extensa, foquemos no que mais pode lesar a Organização:

  • Ausência de visão, missão e valores

  • Incongruência entre visão, missão e valores e práticas quotidianas

  • Difusa e/ou confusa cultura organizacional

  • Inexistência de comunicação interna fluida e planeada

  • Existência de papéis e responsabilidades confusas

  • Crescimento de lideranças enquistadas e cristalizadas

  • Falta de crença na inovação e criatividade

  • Negação das emoções

  • Carência de objectivos SMART

  • Falta de planeamento

  • Desinvestimento na avaliação intermédia e/ou final

  • Rejeição da importância de desenvolver as relações interpessoais

Se a estas razões adicionarmos contextos e circunstâncias desafiantes em que faltam os recursos humanos, financeiros e logísticos, estaremos certamente perante uma Organização em que a maioria das pessoas assumirão a situação como uma ameaça. E as probabilidades de “ralhar” serão veementes.


Vivemos, sem qualquer dúvida, num Universo imprevisível, mas providenciar o “pão” nas Organizações é apenas, na minha modesta opinião, uma questão de planeamento estratégico. Lamentavelmente, nalgumas Organizações é apenas uma questão de falta de planeamento estratégico.


Há quem invista na prevenção e há quem invista na reacção. Diferentes resultados exigem diferentes abordagens.


Em suma, é tudo apenas uma questão de atitude.


Sandra Dias


Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

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