Pau que nasce torto jamais se endireita
- 15 de jan. de 2018
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Apresenta-se um provérbio determinista. É dos que merece ser desmontado sob pena de abalar a crença na humanidade e na capacidade para a mudança que cada pessoa encerra em si mesma.
Este provérbio é a anti-possibilidade da magnifica competência que assiste ao Ser Humano de se poder adaptar a vários contextos e de continuar a desenvolver-se, sem que tal coloque em risco a sua segurança. Dois autores de referência - Berger & Luckmann – abordaram, habilmente, essa questão quando aludem a duas constantes antropológicas que tornam o Ser Humano único:
Abertura ao mundo
Plasticidade
Nesta sequência, é possível salientar que as pessoas têm a possibilidade de se produzirem a si mesmas, independentemente da hereditariedade e/ou do meio em que estão inseridas. Se tal não fosse possível, existiria uma (re)produção social hermética e estigmatizante, como se de um karma se tratasse.
Acredito que podemos mudar sempre que assim o identifiquemos como necessário e que assim o queiramos. Existem muitas mudanças em stand-by por vários motivos:
São os outros que querem a nossa mudança para satisfazer as suas necessidades e expectativas;
São os outros que que querem a nossa mudança sem contextualizar / comunicar de forma assertiva essa necessidade;
Somos nós que queremos mudar, mas avaliamos que as condições necessárias estão ainda por criar /estabilizar;
Somos nós que queremos mudar, mas receamos sair da habitual área de conforto.
Independentemente da origem, do enquadramento e dos protagonistas, importaria que essa mudança fosse gerida com o consentimento e interesse do próprio. Diz-nos a experiência que é pouco consistente a mudança quando é deliberada por outros, não restando à pessoa outra alternativa senão forjar uma aceitação.
Mas nem tudo são facilidades e há momentos em que se impõe a veleidade de mudar as pessoas. Quando se lideram pessoas e nos cabe a missão de gerir tarefas e resultados, impõe-se, por vezes, a necessidade de trabalhar com as pessoas no sentido de as agregar à cultura organizacional. E neste âmbito, há momentos em que se torna importante orientar as pessoas face a uma mudança necessária. Falamos, essencialmente, de comportamentos, com todas as idiossincrasias que a área comportamental integra.
Se face a esse desafio, o importante é comunicar e co-responsabilizar. O comportamento não é algo determinista, é algo que se escolhe. Há tempos escrevi aqui sobre a liberdade de escolher o comportamento e assumir a responsabilidade dessa escolha. O imprescindível é, num contexto de face a face, descrever as situações e apresentar os impactos e consequências do comportamento. E escutar, escutar activamente.
Se for um processo transparente entre e para ambas as partes, as respostas e as soluções vão emergir, naturalmente, desse diálogo.
E as mudanças podem acontecer para benefício de ambas as partes, antes que se aposte definitivamente em mudar de pessoas.
Sandra Dias
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.












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