O livre arbítrio: máxima liberdade, máxima responsabilidade
- 27 de nov. de 2017
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O título deste artigo pode parecer, à primeira linha, um fait divers. Existem na nossa existência questões tão óbvias, que, aparentemente, o evidente se torna invisível à interpretação do olho nu e do senso comum.
O comportamento será, na minha opinião, uma destas questões. A velocidade com que nos relacionamos hoje com o mundo e com as pessoas, pode, a dado momento, influenciar o processo de analisar - ou não – a forma como o comportamento traduz as nossas inferências, estereótipos, juízos de valor e preconceitos.
Independentemente da velocidade ou da tecnologia que possamos (des)carregar para facilitar os modos de trabalho e sociabilidade, há um pressuposto intrinsecamente humano do qual não podemos abdicar – o livre arbítrio. Somos livres para escolher as nossas acções e intenções. Mesmo em contextos em que o “corredor de liberdade” é exíguo, o processo de analisar e agir é a expressão da liberdade que a pessoa interpretou e/ou protagonizou.
E essa liberdade é de facto estimulante: ter a liberdade para escolher o meu comportamento, sem que tenha que obedecer a uma única norma formatada.
Mas este estímulo só poderá ser plenamente livre se lhe for associado, naturalmente, a componente da responsabilidade: ter a liberdade para escolher o meu comportamento e assumir a responsabilidade desta escolha.
Se escolho usar todas as categorias de “rotulagem” no contexto e nas pessoas que me rodeiam, estou em pleno exercício da minha liberdade. Mas estou, simultaneamente, a transmitir uma mensagem – silenciosa ou “ruidosa” – da qual sou responsável. Não posso, pois, demitir-me da minha responsabilidade quando me é devolvido idêntico processo de “rotulagem”. Não ignoremos que comportamento gera comportamento.
O comportamento não é algo determinado com que se nasça e que se cristalize. O comportamento é algo que se escolhe.
Se na liberdade do comportamento se integrarem elementos poderosos como a empatia, a escuta activa, a responsabilidade do comportamento não estará à mercê do acaso, mas de um processo consciente e promotor de ganhos para todas as partes.
O grande desafio da relação humana é gerir em harmonia a liberdade e a responsabilidade. Perceber que existem pares, que estamos inevitavelmente ligados, que temos forças atractivas e repulsivas nas relações. Mas acima de tudo perceber que cabe a cada um de nós gerir as suas emoções e analisar os seus comportamentos. É obviamente mais simples externalizar a responsabilidade, mas tal acção estará a escamotear a realidade.
A procura das soluções em detrimento dos culpados abre-nos o entendimento para um maravilhoso Universo onde as diferenças são uma oportunidade ao invés de uma ameaça.
Todos os dias escolhemos comportamentos. Sejamos, coerentemente, responsáveis por eles.












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