Somos o que comunicamos ou comunicamos o que somos?
- 28 de jun. de 2017
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Poderíamos segmentar as duas dimensões e ter a pretensão de considerar que as duas são estanques. Tal interpretação conduziria, no entanto, a um esvaziamento significativo do que caracteriza o ser humano.
A inevitabilidade e permanência constante da comunicação tem sido abordada por muitos autores. Por me me ter sido apresentado academicamente um autor que não vou esquecer, é impossível ignorar a premissa que “é óbvio que a comunicação é uma condição sine qua non da vida humana e da ordem social” (Watzlawich et all, 1993). Neste âmbito, estamos sempre a comunicar e somos sempre comunicadores, mesmo que optemos pelo silêncio sepulcral.
Pelas nossas palavras e pela nossa comunicação não verbal evidenciamos o nosso mundo interior – o cognitivo e o emocional. Mesmo que, por vezes, teimemos em considerar que estamos a esconder ou a escamotear um ou outro. Quantas vezes nos surpreendemos a ouvir palavras de elevada estima que acompanhadas por uma comunicação não verbal contraditória (tom de voz, distância entre os corpos, expressão facial, entre outros) anulam, na totalidade, a cortesia?
Há uma relação directamente proporcional entre o que pensamos, dizemos e fazemos. Essa tríade tão simples está pulverizada das nossas vivências, do quadro cultural onde nos movemos, onde muitas barreiras à comunicação foram criadas por nós e pelos outros. Estamos, assim, sempre a revelar-nos pela comunicação. E do outro lado estamos a ser escrutinados por essa comunicação, passível de gerar um comportamento da outra parte.
Algumas questões em modo de auto-diálogo poderão ser úteis para percebermos o impacto que a nossa comunicação tem nos outros:
Comunico o que penso?
Penso o que comunico?
Escuto?
Interpreto?
Num anterior artigo já abordei o âmbito da competência comunicacional, fundamentando a sua centralidade na relação interpessoal. Hoje adiciono o mundo interior, que ancora e influencia a nossa competência comunicacional. O exercício do auto-conhecimento é uma estratégia de investimento na relação própria e com o outro. E nesse exercício a identificação e expressão das nossas emoções é um patamar essencial. Urge entender que “a linguagem do corpo exprime todas as nossas emoções, as que queremos guardar para nós e as que queremos transmitir” (Turchet, 2013).
A resposta ao título está aparentemente dada: somos o que comunicamos e comunicamos o que somos.
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico












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