O saber não está todo numa cabeça só
- 18 de set. de 2018
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Os provérbios também relembram detalhes simples da vida e alertam para a necessidade de trabalhar em equipa. Este provérbio é um exemplo concreto dessa mensagem.
Quando a nossa atitude e acção está direccionada para escutar os outros, independentemente das diferenças que possam existir, os resultados obtidos podem ser significativamente superiores.
Além das competências técnicas que cada pessoa possa ter, que são de grande valor acrescentado, adicionam-se as diferentes experiências, que no seu conjunto contribuem para o conhecimento.
Ouvimos frequentemente a expressão “duas cabeças pensam melhor do que uma”. Contudo, nem sempre esta premissa é entendida como uma vantagem. Continua, lamentavelmente, a persistir em alguns contextos uma arrogância do saber, alicerçada numa atitude pessoal e profissional de desvalorizar os semelhantes, com base em argumentos baseados em juízos de valor, preconceitos e estereótipos. São exemplos quotidianos a diferenciação com base no género, idade, grau académico, ou estatuto socioeconómico.
Na minha perspectiva, o saber é um processo que se constrói diariamente e que está para além do formalmente certificado. É um processo que se ancora na humildade e na partilha generosa com outras pessoas. Na capacidade de escutar o outro e de entender a sua perspectiva sobre a interpretação do que foi partilhado. Quando se baseia a partilha do saber única e exclusivamente na transmissão – a que Paulo Freire brilhantemente caracterizou como “educação bancária” –, ostraciza-se e perde-se o saber de uma das partes, sublimando a possibilidade de o conhecimento ser recriado e desenvolvido com novos inputs.
Este provérbio desperta para este princípio, a par da inspirada ideia de que podemos fazer mais e melhor quando aceitamos que o saber está para além de nós, que dominamos realidades em detrimento de verdades. Creio que temos memória do que são os dogmas e do resultado que geram. A tomada de consciência de que o saber não está apenas numa cabeça ajuda-nos a fugir dos dogmas e, como tal, a dirigir o nosso comportamento para um formato colaborativo e de reconhecimento da diversidade.
Volto à questão do trabalho em equipa para reflectir que o seu equilíbrio e valor acrescentado estarão sempre garantidos, desde que se afaste o dogma de que o saber está apenas circunscrito a uma cabeça. Se assim fosse, para que precisaríamos de uma equipa? Bastaria, assim, apenas “aquela cabeça”.
Trabalhar em equipa é um privilégio, ainda que carregado de desafios. Nesta matéria, cabe a cada pessoa discernir a categorização dos desafios em oportunidades ou obstáculos, conscientes de que as acções subsequentes serão determinadas pela classificação prévia.
Termino citando, novamente, Paulo Freire: “Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes”. Felizmente que as equipas têm este manancial. Saibam as Organizações aproveitá-lo.
✍ Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico. ✓ Revisão de texto realizada por José Ribeiro












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