O conhecimento não é a coisa principal, mas acções
- 9 de ago. de 2018
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Os provérbios são, sem dúvida, um património valioso ao qual estou rendida. Sem autor definido e sem uma data fixada, atravessam fronteiras e modelam gerações. O provérbio que hoje trago vem de África e fala de um tema que muito aprecio: a competência.
É longo e aprofundado o debate entre os conceitos de conhecimento e competência, sendo, na minha opinião, a principal destrinça a capacidade de transformar teoria em prática. Creio que a maioria conhece casos quotidianos de pessoas carregadas de conhecimento, sem que tenham sido bafejadas com o privilégio de pensar criticamente sobre o mesmo e de o adaptar a circunstâncias diferenciadoras e desafiantes. As suas acções são pré-programadas obedecendo a um modus-operandi formatado que descarta, algumas vezes, a diversidade e especificidade da relação interpessoal.
Existem muitas definições para o conceito de competência, algumas delas incrivelmente ancoradas num sistema inquinado por favoritismos bacocos que teimam em elogiar comportamentos que se caracterizam por falta de foco, responsabilidade e compromisso a nível individual e de equipa. Afasto-me dessas definições que, creio, produzem equipas desmotivadas, fertilizam cenários de conflitos e geram resultados muito abaixo do projectado.
Independentemente do suporte teórico a que possamos recorrer (que é diverso e rico), a competência, na minha opinião, é um processo de gestão da complexidade, que integra uma dimensão cognitiva, emocional e operatória, O grande desafio estará sempre na leitura analítica do contexto, do que se sabe e do que se antecipa, da observação e interpretação dos comportamentos, com o objectivo de tomar as melhores decisões. A isto, de uma forma muito escorreita, chamo de competência.
Embora possa parecer estranho a alguns quadrantes do saber, este processo pode não estar ancorado, a montante, em conhecimento, tradicionalmente comprovado por um certificado formal.
Salvaguarda-se que não desconsidero o valor do conhecimento adquirido pela via formal – este tem o seu lugar e importância e deve ser acessível a todas as pessoas em condições de acesso e sucesso. Contudo, é necessário ir mais além desta dimensão. Clarifique-se que são as acções, as evidências que se requerem e que farão a diferença. O que esperamos das pessoas e dos profissionais para além do conhecimento é a sua capacidade de executar com eficácia, mantendo a qualidade e segurança. Em suma, o que esperamos é competência.
E tal vai muito para além do domínio exclusivo das hard-skills. Acredito que a expressão das soft-skills contribuem de forma marcante para as acções, para o exercício da competência.
Cabe a cada pessoa procurar o conhecimento e transformá-lo em competência. A este magnifico processo subjaz uma atitude humilde de aprendizagem contínua. Também, nesta matéria, é uma questão de atitude. E nesta etapa, também, se revela a competência ou a falta dela.
✍ Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico












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