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Faz a fama e deita-te na cama

  • 2 de jul. de 2018
  • 2 min de leitura

Os provérbios podem ser, a dado momento, um alerta útil para que evitemos os estímulos do (des)conforto.

A falácia mais premente que se pode instalar na nossa existência, será certamente a noção de que atingimos o nosso ponto de perfeição ou estagnação. Se tivesse que eleger uma característica magnifica que assiste ao Ser Humano escolheria a plasticidade que lhe permite uma evolução contínua.

Quando no passageiro percurso se considera que o conhecimento interior e a capacidade de relação com os outros são tarefas que estão perfeitas, chegar-se-á a uma cegueira simbólica que conduzirá a uma cristalização perversa.

A fama, referida em sentido lato, poderá ter sempre duas faces da moeda. Há quem conquiste uma fama positiva e quem insista em arquitetar uma fama negativa que pretende ascender sobre os seus pares. Parecendo estranho esta última, exemplifica-se com uma pessoa que se vangloria em controlar os outros e de achar que os conduz a produzir processos e tarefas como é seu desejo. Infelizmente, há exemplos de líderes que se alardeiam nas reuniões desta sua capacidade.

Neste artigo escrevo essencialmente sobre a “boa fama”, pela positividade que transporta para a relação interpessoal. A boa fama assume várias atitudes e acções, sendo mais abrangente do que a fama profissional. Antes de sermos profissionais somos, no nosso núcleo, pessoas.

O universo é um sistema vivo e jamais estagna. O património emocional que existe dentro de nós é, também, um cosmos em constante mutação. Como tal, ter um comportamento estanque, considerado como modelo que dispensa actualizações e acções de melhoria é um equívoco fatal.

O provérbio sobre o que hoje escrevo alerta para este equívoco, relembrando que somos responsáveis, a todo o momento, de agirmos no sentido de sermos a melhor versão de nós mesmos. Quando nos deitamos, em sentido figurado, aceitamos uma cristalização do comportamento e deixamos de ter a capacidade de análise critica e de acção. Ingressamos numa fase de conforto que é apenas uma ficção e que rapidamente nos trará desconforto.

Exemplificando, novamente, com o exercício da liderança, será uma fantasia considerar-se que se adquiriu um estatuto de comando de excelência e, como tal, passível de cristalizar. No dia em que tal for feito, a boa fama de líder construída com esforço e entrega será abalada nos seus alicerces.

Relembremos que a constituição da reputação poderá demorar anos a ser edificada e dolorosamente questionada em segundos. Recordemos sempre que as pessoas têm memória e que nada é passageiro.

Não existem prestígios estanques, pois dependem proporcionalmente do comportamento. E o comportamento será sempre algo que escolhemos.

Em suma, é tudo apenas uma questão de escolhas.

Sandra Dias

Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

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