Até ao lavar dos cestos é vindima
- 29 de jan. de 2018
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Apresenta-se um provérbio em formato de lembrete. No actual contexto em que tudo aparenta correr tão veloz, parecem menosprezar-se algumas etapas importantes no quotidiano das comunidades e das organizações. A etapa de avaliar e “arrumar de forma organizada” é, por vezes, um exemplo do que é menosprezado.
Todos os projectos – dos individuais aos organizacionais – deveriam, na ordem da eficácia, integrar três fases nucleares:
Pré | Definir objectivos, estabelecer prioridades e planear em conformidade
Evento | Realizar, experienciar, proporcionar
Pós | Avaliar e capitalizar experiência e conhecimento
Afigura-se, aparentemente, como uma verdade à la palisse que os processos de qualidade e crescimento se façam desta forma. Contudo, o que é óbvio pode, por vezes, ser esquecido.
Acredito que temos várias experiências para partilhar em que depois de se “apanharem as uvas”, se considerou o processo concluído com todos as consequências inerentes. Se correu mal, paciência. Se correu bem, batemos palmas e num rasgo de autismo e supremacia de saber achamos que tudo, tudo, tudo correu bem.
Claro que há projectos em que tudo correu bem, mas crendo-se que o objectivo é uma melhoria contínua, é o momento de sentar com tempo de qualidade e avaliar de forma holística, num ângulo quantitativo e qualitativo, identificando os interlocutores que podem e devem ser consultados e que têm um input acrescentado nesse processo da melhoria contínua.
Crendo que a fase pré foi bem estruturada, foram planeados os recursos, actores e contextos de avaliação e no pós é naturalmente feita a sua aplicação. Mas não basta a teoria e intenção. Transitar para a prática é essencial.
Se isto é tão nítido, porque não se lavam os cestos? E as desculpas mais comuns são:
O importante é ter colhido as uvas
Desconhecia que fazia parte do processo
Alguém há-de lavar
Quem voltar a usar que os lave
Dá trabalho
Em todos os argumentos reside um espírito redutor, com ausência de perspectiva de processo e de expansão. Além de uma nefasta carência de responsabilidade e de competências para trabalhar em equipa.
Entenda-se, de uma vez, por todas, que um erro repetido muitas vezes é uma opção.
Lavem-se os cestos a bem do melhor vinho. Tanto hoje como amanhã. Afinal o que fazemos hoje, parece reflectir-se amanhã.
Sandra Dias
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.












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