top of page

Onde reina a força, o direito não tem lugar

  • 7 de mai. de 2018
  • 2 min de leitura

Os provérbios, como sábios conselheiros, inspiram-se no quotidiano e nas vivências. E comunicam uma mensagem clarividente, assumindo, frequentemente, um lembrete simples. Este provérbio, em específico, integra a categoria de alerta.


Quando falamos de força, podemos avistar uma banda larga de impulsos. Existem forças positivas e atractivas e forças negativas e repulsivas, com a produção de consequentes resultados. Acredito que, neste provérbio, se abordam as forças encrostadas e repulsivas, ancoradas num autoritarismo exacerbado (muito distinto de autoridade), que faz uso do status e da posição para anular os pares que se distanciam da sua forma de pensar e agir.


Sempre que escasseia o espaço e o tempo de praticar uma comunicação assertiva, na qual se respeitam os direitos de todas as partes interessadas, estamos, definitivamente, em contextos em que abundam os protagonistas de autoritarismo, que fazem valer as suas posições através de uma energia que simbolicamente nega a relação interpessoal.

Há algum tempo, escrevi aqui sobre a força e a flexibilidade e, de alguma forma, retomo a questão no presente artigo.


A força – aqui assumida como um poder autocrático e pouco ético – encontra formas perversas de analisar e deturpar a verdade, criando “estórias” em que os inocentes passam a ser culpados e os culpados passam a ser inocentes, numa corrompida inversão de responsabilidades.


Nos últimos anos, temos assistido a uma subtil difusão de práticas e acções aviltadas, operadas em contexto organizacional, que procuram sublimar e/ou anular as pessoas. O conceito de mobbing parece, assim, naturalizar-se, e ao seu abrigo as pessoas são esvaziadas das suas funções, vexadas em público, denegridas nas suas atribuições e responsabilidades, num processo simbólico de coacção para que abandonem a Organização.

Neste contexto em que impera uma força (in)visível, o exercício do direito é uma batalha física e psicologicamente desgastante. E nesta batalha, a bem da sanidade mental e física, a rendição é, por vezes, o mal menor.


Sempre que alguém usa uma força desmedida para fazer valer as suas ideias e acções, é porque, de facto, os seus argumentos são muito fracos ou fundeados em valores eticamente questionáveis. Se fossem argumentos edificados sob a égide da ética e verdade, usariam a comunicação para os partilhar e chegar a situações de win-win, em que os direitos de ambas as partes fossem considerados.


Se existe uma questão que deve ser lembrada, prende-se com a memória e a confirmação de que o mundo dá muitas voltas e que os comportamentos futuros se relacionam com os comportamentos passados.


Tal como Horácio escreveu, "A força bruta, quando não é governada pela razão, desmorona sob o seu próprio peso".

Em suma, é tudo apenas uma questão de atitude, sob a qual cada um de nós é responsável.


Sandra Dias


Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

Comentários


bottom of page