Quando não existe inimigo no interior, o inimigo no exterior não pode te machucar
- 19 de abr. de 2018
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Os provérbios falam do nosso mundo exterior e, fundamentalmente, do nosso mundo interior. Sobre o provérbio Africano que hoje escrevo as suspeitas são facilmente clarificadas: fala do nosso mundo interior.
A autonomia e segurança que plasmamos no nosso relacionamento com os outros, na forma como comunicamos e como reagimos ao meio ancora-se num património interno valioso. A forma mais harmoniosa de conhecermos o outro tem um princípio elementar que devemos recordar diariamente e que nos coloca no centro da tese: o auto-conhecimento.
A expressão “conhece-te a ti mesmo” que nos habituamos a ouvir nas aulas de Filosofia tem uma mensagem forte e poderosa que poderia ser repetida em forma de mantra e escrita em vários locais de passagem quotidiana. Lamentavelmente durante muitos anos foi apenas veiculada nos meios de formação formal e inacessível a muitas pessoas com as respectivas consequências que lhe são inerentes.
Andamos (ainda andaremos?) muitos séculos a negar e a sublimar o conhecimento do EU, ostracizando o património emocional que nos move enquanto pensadores, decisores e actores.
Quanto mais aprofundado e apurado for o conhecimento do Eu mais facilidade existirá no reconhecimento das forças e áreas de melhoria, com a consciência que este entendimento será directamente traduzido na melhoria e ajuste da relação com o mundo e com os semelhantes.
Se estivermos em paz com o nosso mundo interior, sem conflitos intrapessoais fracturantes, mais garantias que estaremos em paz com as pessoas que nos atraem e repulsam. Somos tendencialmente conduzidos na intenção e veleidade de mudar os outros sem que antes haja uma dedicação plena na introspeção e análise interior. O irónico desta premissa é que todos os seres humanos andam nesta empreitada de mudar os semelhantes, o que obviamente gera tensões, pressões e conflitos.
O ano passado escrevi aqui sobre a mais importante viagem da nossa vida, que se encaixa sem qualquer dúvida com este provérbio.
Talvez o segredo desta viagem esteja em fazer as perguntas certas em detrimento de ter as respostas certas. Existem perguntas fortes que são um guia em qualquer etapa da nossa existência e que nos permitem ser uma versão mais real e melhor de nós mesmos:
Qual é o meu propósito de vida?
Quais são os meus valores?
O que me apaixona e seduz?
O que me assusta e retrai?
Que património quero deixar para a posteridade?
A existência de inimigos, reais ou simbólicos, é uma realidade em cada dia e em todos os contextos. A dada altura, e usando de uma boa dose de pragmatismo, são estes “inimigos” que permitem o desenvolvimento e a acção adaptativa. O grande empreendimento reside no facto de evitar que os primeiros e permanentes inimigos estejam dentro de nós, impedindo a nossa progressão de forma (in)consciente.
Arrumar o nosso aquartelamento é a forma mais sana e eficaz de lidar com os restantes aquartelamentos.
Termino citando Carl Jung que, brilhantemente, resumiu que “tudo o que nos irrita nos outros pode levar-nos a um entendimento de nós mesmos”.
Sandra Dias
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.












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