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Diz-me com quem andas e eu te direi quem és

  • 12 de abr. de 2018
  • 2 min de leitura

Os provérbios falam de nós, do comportamento, das atitudes e da percepção.


Somos seres de escolhas, assiste-nos o livre arbítrio. O nosso mundo interior influencia a nossa atracção e/ou repulsão perante os “outros mundos”. E neste sentido, podemos escolher as pessoas com quem nos relacionamos e somos, evidentemente, responsáveis pelas nossas opções.


O mito de que o mundo é completamente controlado por acontecimentos externos não passa de isso mesmo: um mito.


Há quem passe a sua existência a culpar o contexto pela vida que tem e há quem rejeite essa condição e batalhe por se diferenciar dos mecanismos deterministas de reprodução social e organizacional. Há quem se renda. Há quem vá à luta. Há quem se acomode. Há quem se adapte.


A adaptação é um mecanismo admirável que permitiu à condição humana chegar aos dias de hoje. O curioso é que até na adaptação subjaz um processo (in)consciente de escolha. Com quem escolhemos identificar-nos? Optamos pelo percurso reflexivo, mapeando os nossos passos por escolhas próprias ou colocamo-nos, por osmose, nos passos dos outros? Não existem respostas certas nem erradas, tudo depende do processo, nomeadamente no que se cristaliza como padrão de comportamento que, por vezes, pode ofuscar a capacidade de pensar pela própria cabeça.

Nada contra ter modelos que norteiam a nossa vida, nada contra ter áreas relacionais de conforto. Somos seres relacionais e os outros são, também, o nosso eu. A reflexão mais profunda surge quando analisamos a realidade e questionamos porque existem pessoas com um poder simbólico de absorver outros, de tal forma que estes deixam de pensar pela sua cabeça.


Uma questão que me tem assolado nos últimos tempos prende-se com a aceitação passiva, em modo quase hipnótico, de seguir estilos manipuladores, com níveis tóxicos de bloqueios à relação, que consideram a condição humana como uma vantagem para progredir, ferir, ofender, humilhar, aniquilar.


Em que ponto os seus fiéis seguidores perderam ou abdicaram da sua capacidade de cognição e assimilaram comportamentos dissonantes? Em que ponto e em que medida consideraram que adoptar e replicar modelos de repulsão relacional e comunicacional lhes daria vantagem? Em que etapa perderam a noção de que comportamento gera comportamento?


Onde e quando teria surgido a argumentação (e a crença) de que o ataque é sempre a melhor defesa?


De facto, e sem nenhuma presunção de inocência ou culpa, o que somos enquanto pessoas e profissionais vai embeber e espelhar informação no nosso círculo relacional, com efeitos na forma como comunicamos e gerimos emoções. Resulta, assim, no que somos e queremos ser enquanto pessoas.


Em suma, é tudo apenas uma questão de atitude no processo de escolha.


Sandra Dias

Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

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