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Se quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando o machado

  • 9 de mar. de 2018
  • 2 min de leitura

Os provérbios são um património da Humanidade, que, embora ancorados na cultura que os gerou, podem cruzar as fronteiras. Hoje, partilho um provérbio chinês pela sua referência ao processo de contrariar o paradigma do imediatismo e privilegiar a paciência e os necessários processos de planeamento.


Tenho escrito em vários artigos que me apoquenta a velocidade que o sistema social – no qual se integram a dimensão pessoal, profissional, organizacional – nos imprime para que todas as coisas sejam pensadas e concretizadas num ápice de segundos, sem lugar a maturação de ideias e privilégio do “aproveitar o momento”.


Este provérbio fala-nos de investimento de tempo, em detrimento de perder tempo. Sabemos que o tempo é um recurso valioso, sem possibilidade de crédito, e que o seu avanço está necessariamente relacionado com uma sequência de acontecimentos. Em suma, o que acontece amanhã está intrinsecamente relacionado com o que se faz hoje.


Derrubar uma árvore é apenas uma metáfora que alude a todos os projectos a que nos propomos, que, independentemente da sua dimensão, têm pressupostos de sucesso. A tarefa de “amolar o machado” é uma inteligente estratégia de facilitar o resultado final que se pretende.


Algumas pessoas considerarão esta etapa uma perda de tempo, porque desejam apressadamente entregar-se ao objectivo, confiando apenas na sua força braçal e anímica. Outras pessoas serão diligentes economizadoras dos seus recursos próprios, na perspectiva de que são úteis para canalizar para outros desígnios. Mais uma vez, o que distingue as pessoas é a sua atitude e a capacidade de integrar recursos internos de análise e de planeamento.


O processo de definir ou responder a objectivos obedece a um processo subsequente de definição de prioridades e de planeamento e encadeamento de acções que confluam para a concretização do resultado final. Este processo, que agrega a dimensão híbrida da eficiência e a da eficácia, ancora-se, como é óbvio, na capacidade individual de integrar recursos cognitivos, psicomotores e emocionais.


Talvez porque estamos, muitas vezes, inquietos com as expectativas – nossas e dos outros – tenhamos a veleidade de nos lançarmos velozmente ao cumprimento do objectivo sem que antecipemos e combinemos as condições e os recursos que poupam tempo e energia. Se for necessário justificar o tempo de preparação a nós mesmos ou aos outros, o argumento plausível a evocar é apenas “investimento de tempo”, que foi evidentemente planeado.


Quanto aos outros, assumamos que haverá sempre juízos sobre a nossa acção, quer estejamos a amolar o machado ou a derrubar a árvore.


Sandra Dias

Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

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