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Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele

  • 1 de mar. de 2018
  • 2 min de leitura

É curiosa, também, a forma que o comportamento humano assume no quotidiano, revelador de estilos de ser, estar e comunicar. E tais estilos, são inevitavelmente geradores de outros comportamentos, semelhantes ou antípodas.


Escrevi, há tempos, que o comportamento é algo que se escolhe. E mantenho esta premissa, embora algumas opiniões tendam a transferir a culpa para terceiros, demitindo-se de todo e qualquer processo de desenvolvimento pessoal.


As relações interpessoais são plenas de enigmas, apenas decifrados com competências que não se circunscrevem às puramente técnicas. Vivemos em contextos desafiantes, em cenários, predominantemente, imediatistas que ofuscam, por vezes, a capacidade de observar, escutar, relacionar e comunicar assertivamente.


Se fossemos todos comunicadores assertivos não haveria lugar a “lobos” no seio das relações interpessoais, pois independentemente dos intervenientes e dos seus interesses, todos os movimentos do jogo se produziriam com regras claras e honestas.


Suponho que são muitas as circunstâncias que possam explicar a aceitação de papéis de “lobos” e/ou a sua cega veneração. Entre uma ambição pueril de aceitação e um desejo de protecção, muitos outros motivos poderiam ser, eventualmente, enumerados. Mas os citados são os que mais me preocupam pela sua profusão nas vivências relacionais e pelas clivagens nocivas que criam entre as pessoas.


A vulnerabilidade e a passividade são características apreciadas pelos manipuladores, pela maleabilidade na criação de condições favoráveis no manejo das emoções dos outros, com o único objectivo de satisfazerem as suas próprias necessidades e expectativas. Ainda que, por vezes, prometam representação e protecção aos seus seguidores, com grande volatilidade podem defraudar este compromisso, deixando-os em circunstâncias ainda mais frágeis.


Digo, frequentemente, que o estilo de acção e comunicação manipulador é o mais nefasto que se evidencia na vida social e profissional, pelo carácter malicioso, corrupto e oportunista. Cabe a cada um de nós, pela responsabilidade individual e social, repudiar este tipo de comportamento e recusar a sua reprodução, sob pena de, em alguns momentos, se naturalizar.


Se este comportamento é a resposta a situações de conflitos e /ou de ausência de identificação com os pares, assuma-se que é um engano. Este comportamento alimenta, ainda mais, a tensão e desconfiança, empobrecendo a possibilidade de praticar a empatia, escuta activa e a capacidade de comunicar. Promove forças repulsivas e suprime as forças atractivas. Neste âmbito, qualquer vivencia de sociabilidade com qualidade torna-se uma quimera.


Se a opção é por atitudes que promovam relações duradouras e equilibradas, assumir a personagem de “lobo” poderá ser um papel arriscado e com esperança e qualidade de vida curta.


As atitudes ficam, sempre, em última instância, com quem as toma.


Sandra Dias


Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

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