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Não existem executantes insubstituíveis, mas existem pessoas insubstituíveis

  • 18 de dez. de 2017
  • 2 min de leitura

Entedia-me a legendária expressão “não existem pessoas insubstituíveis”, pois traduz um vazio e um menosprezo mais profundo do que se possa imaginar.


Perdoem-me os cépticos, mas na minha perspectiva existem pessoas que, nos vários domínios da vida, desde a esfera pessoal à profissional, não se substituem. Não que sejam melhores do que os seus pares, mas sim porque são diferentes, especiais, únicas ou portadoras de outro adjectivo semelhante.

Entendia-me que se descartem pessoas, nomeadamente a nível profissional, com este “despacho” bacoco que contradiz o que de mais precioso temos nas organizações – as pessoas.


Cada Organização que celebra um, dez ou cem anos apenas o faz porque um dia teve pessoas que contribuíam para esse sucesso. Sem esse valioso recurso as Organizações não passariam de hologramas apenas sustentados pela visão, missão e valores. E os hologramas, sabemos, são apenas hologramas...


Aceito que se reduzimos as tarefas apenas à mera realização – considerando apenas o domínio das hard skills - existam executantes que facilmente se possam substituir sem causar diferença ou abalo. É nesse caso indiferente se o trabalho é feito por X ou Y, pois aparentemente estamos a falar de “instrumentos”.


Mas os seres humanos não são instrumentos, máquinas ou utensílios. São pessoas, essa fabulosa circunstância que transforma realizações em contextos relacionais. E nesta fabulosa circunstância, considera-se o património diferenciador das soft skills, que nos torna seres únicos com uma marca pessoal intransmissível.


E se assim nos posicionarmos entenderemos facilmente que existem pessoas que não se substituem. Podem ser sucedidas por pessoas que vão executar as tarefas da mesma forma, do ponto de vista operacional e técnico, mas a componente relacional será diferente e, em algumas circunstâncias, pode comprometer o resultado final.


Ao longo da minha carreira tenho lidado com pessoas insubstituíveis, não tenho receio de o partilhar. Deixaram as equipas e foram substituídas. O trabalho continuou a ser feito, e os resultados surgiram. A qualidade, satisfação e motivação mantiveram-se, sempre, inabaláveis? Não. Fizeram falta.

Repugna-me que a expressão “não existem pessoas insubstituíveis” seja verbalizada por profissionais que têm funções de liderança. É, na minha opinião, uma das maiores incoerências que um gestor de pessoas poderá expressar.


Sejamos audazes, reais, humanos. E prezemos o que de melhor temos enquanto seres humanos. Tal comportamento minimizará a arrogância que nos esvazia da necessária humildade e constatação que precisamos todos uns dos outros.

Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico

 
 
 

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