Comunicação eficaz de A a Z
- 20 de nov. de 2017
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A competência comunicacional é uma das mais fascinantes competências que o ser humano transporta em si mesmo. Esta maravilhosa habilidade de poder traduzir por palavras, mas, também, por gestos, aproximações ou distanciamentos, olhar e sorriso é das mais complexas e dinâmicas.
Há dias, lendo um artigo sobre o último livro publicado por António Damásio, dei por mim a pensar que, em definitivo, os sistemas de educação e formação não se podem limitar à aprendizagem da leitura e da escrita. Tal não basta para a adaptação a um mundo – interior e exterior – em constante mutação. Os sistemas de educação e formação são estruturantes no processo de aprender a comunicar, integrando ferramentas que nos permitam interpretar. Porque o processo de interpretar nos permite, de facto, transformar o conhecimento em competência.
Percepcionar a comunicação como uma oportunidade, em detrimento de um ameaça, é claramente uma atitude que define um mind-set com capacidade de se renovar e de integrar um conjunto integrado de outras competências sócio-relacionais.
Comunicar é mais do que falar sem dúvida alguma. Façamos uma breve viagem.
A. Adequação | Interiorize que o processo de comunicar é um dos mais dinâmicos e transformacional que existe. A consciência de que a sua eficácia depende claramente do esforço de absorver e interpretar o contexto abre-nos a mente para a necessidade de adequar a comunicação – conteúdo e forma verbal e não verbal – à cultura, literacia, idade, género, papel e contexto dos interlocutores. Negar este pressuposto é, à partida, um obstáculo à comunicação.
B. Bom senso | Considere que o processo de comunicar está intimamente relacionado com o nosso mundo interior, com a forma como identificamos e expressamos emoções, como captamos e interpretamos mensagens verbais e não verbais. Cabe-nos perceber que todos funcionamos deste modo e, de alguma forma, usar de doses razoáveis de bom senso antes de assumir conclusões e tecer apreciações. O bom senso leva-nos a fazer uma triagem necessária entre factos e opiniões.
C. Colaboração | Admita que a comunicação nos coloca, sempre, num contexto interpessoal de relação com um ou mais interlocutores e que seria saudável que todas as partes funcionassem com o mesmo espirito ou energia. Optar por processos colaborativos, em que os ganhos são distribuídos por todas as partes, é um investimento a médio e longo prazo.
D. Disciplina | Concorde que é essencial ter um auto-controle no processo de comunicar e que este que se desenvolve, necessariamente, pela disciplina pessoal. Identificar e regular as emoções é uma ajuda no processo, muitas vezes evidentes por acções tão simples como respeitar o espaço de cada interlocutor e ouvir até ao fim sem interromper, Sendo uma boa prática e acreditando no fenómeno da imitação na aprendizagem social, esta disciplina pode ser um exemplo para os outros.
E. Escuta Activa | Relembre que é um conceito extremamente citado em qualquer curso de comunicação assertiva. Aparentemente fácil, mas na realidade extremamente desafiante pela integração de vários recursos internos. Escutar é mais do que ouvir, implicando um processo de audição, retenção e interpretação. Numa grande parte das vezes estamos a “ouvir” para responder e não para interpretar, o que nos conduz à expressão “conversa de surdos”.
F. Foco | Reflicta que grande parte da responsabilidade na falha da comunicação se relaciona com a dificuldade em centrar no essencial em detrimento do acessório. Sempre que se perde o foco, despende-se energia e promovemos desinteresse e/ou conflitos desnecessários.
G. Gestão | Atente que na comunicação é necessária uma articulada rede de conexões entre várias “gestões”: gestão de empatia, gestão de emoções, gestão de débito e crédito comunicacional, gestão do estilo de comunicação. Por isso, é um fenómeno tão complexo e fascinante, e face a tal desafio uma gestão estratégica e holística é um caminho com garantia.
H. Humildade | Reconheça este valor, muitas vezes colocado de lado, pela equivocada facilidade com que se associa a uma atitude próxima de humilhação. Errado, errado. Ser humilde significa questionar quando se têm dúvidas, esclarecer quando se crê haver mais do que uma interpretação, assumir que a comunicação tem dois lados. No fundo, é cuidar, mais uma vez, que comportamento gera comportamento.
I. Interpretação | Admita que a interpretação dos factos é diferente de pessoa para pessoa. Tal facilita a comunicação ao colocar em diálogo todas as possíveis inferências. Como se chega neste diálogo à essência dos factos? Existem muitos ingredientes do processo de comunicação que podem ajudar neste diálogo: clarificar, resumir, parafrasear, confrontar. Usemo-los.
J. Justiça | Use de justiça para consigo e para com os outros quando em em contextos de comunicação.
K. Kairos | Reconheça que o tempo situacional, também, está presente na comunicação. Trabalhe o foco para manter a atenção nas oportunidades e no essencial.
L. Locus (de controle interno) | Identifique em que medida tem controle sobre os efeitos do contexto na sua vida. Estamos sempre a observar e a ser observados e sempre, mas sempre, a comunicar. O sucesso da comunicação eficaz está no equilíbrio e controle entre o conteúdo e a forma, do qual somos inteiramente responsáveis.
M. Motivação | Entenda que o processo de comunicação está, também, ancorado na motivação – a sua e a dos outros. Pontualmente será útil um diálogo interior questionado o foco e energia para comunicar com as pessoas – todas elas, sem excepção -, nomeadamente as com as quais nos tendemos a identificar menos. A desmotivação observa-se, transparece no olhar.
N. Negociação | Aceite que comunicar é um processo dialético em que ambas as partes estão interessadas em fazer valer os seus interesses e opiniões. Faz, também, parte do processo gerir a proporção em que cada parte avança ou cede. Para que seja possível negociar é necessário escutar a proposta de ambas as partes e a partir daí gerir o que as une e o que as separa. Aceite este desafio.
O. Oportunidade | Analise o adequado tempo e espaço para comunicar e transforme esse momento numa oportunidade que traga benefícios para ambas as partes. Se o seu interlocutor manifesta indisponibilidade – evite forçar o momento, que poderá criar anticorpos e comprometer uma futura oportunidade carregada de tenpo de qualidade.
P. Percepção | Invista pontualmente em conversas (in)formais com os seus pares para indagar qual a percepção que têm do seu estilo de comunicação. O exercício de auto-conhecimento, através das percepções dos outros, pode ser muito fecundo.
Q. Qualidade | Adquira a consciência do tempo de qualidade na comunicação, um processo que pode, também, ser planeado.
R. Respiração | Interiorize que esta é uma questão essencial para regular as suas emoções no processo de comunicação, em especial quando esta se reveste de complexidade, desafiando a sua estabilidade.
S. Storytelling | Equacione que pode ser interessante e útil recorrer às técnicas do Storytelling para desenvolver, a sua competência comunicacional.
T. Tempo | Reconheça que para comunicar com eficácia necessita de tempo de qualidade – preferencialmente numa harmonia entre o seu e o dos outros. O tempo não se conquista, gere-se.
U. Urgência | Assimile que a qualidade da comunicação tem que minimizar e/ou gerir as amarras da urgência. É um erro crasso tratar recorrentemente a comunicação como um tema urgente. É indispensável tratar como um tema importante.
V. Vida | Interiorize que a forma como comunica tem uma relação directamente proporcional com a sua qualidade de vida.
W. Win-Win | Assuma que o processo de comunicar envolve sempre partes, que têm memória. Interiorize que todas as partes vão mobilizar essas memórias para o próximo processo comunicacional (para o bem e para o mal).
X. Xadrês | Examine os momentos em que a comunicação tem etapas seguintes em jogo. A tal competência podemos chamar de antecipação para a resolução de problemas.
Y. Ying-Yang | Reconheça que estas forças existem mas que lhe cabe a responsabilidade de gerir as suas proporções.
Z. Zelo | Zele cuidadosamente pela sua comunicação e considere que é uma competência sempre “work in progress”












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