Dizer não, porque sim?
- 25 de set. de 2017
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Desde tenra idade que somos adestrados a manifestar disponibilidade para as pessoas e para os seus pedidos. Ouvimos frequentemente que temos que obedecer aos mais velhos, aos que têm mais nível hierárquico, entre outros mais com que nos pulverizam. E esta inócua instrução influenciará, sem qualquer dúvida, a nossa competência relacional e comunicacional.
A capacidade de dizer não ou sim é muito mais complexa do que o simples articular de sons ou escrita de letras. Implica um processo integrado e complexo de escuta activa, análise e a capacidade de resposta em função dessa análise, sem que haja cedência a constrangimentos adicionais.
Ter capacidade para dizer “não” é, na actualidade, um desafio constante e premente na nossa vida pessoal e profissional. Sentimos em larga escala que o tempo voa, que sacrificamos o nosso precioso tempo em função dos urgentes (?) pedidos de outrem porque temos receio de expressar “não, agora não posso”.
A dificuldade (por vezes uma incapacidade) de verbalizar “não” é considerado, no domínio da gestão de tempo, um cronógrafo[1]. E, de facto se tivermos oportunidade de elaborar um diário do tempo poderemos eventualmente concluir que uma grande parte das tarefas que desenvolvemos tiveram um carácter urgente (para os outros) mas não importantes (para nós), às quais não tivemos “ousadia” de declinar com uma negação. Este comportamento obtém como resultado uma aceitação social (será plena, questiono...?) mas que nos distancia das nossas tarefas importantes mas não urgentes que promovem a nossa qualidade de vida, bem estar, satisfação e realização. Distancia-nos porque, lamentavelmente, o tempo não se expande.
Seria pouco ético referir a existência de receitas extraordinárias ou milagrosas para treinar a capacidade de comunicar de forma assertiva traduzida na verbalização do “não”. É um treino diário ancorado numa negociação, numa dialéctica permanente que enforma a relação humana. Existem, sim, algumas questões a que devemos atender para que possamos usar de maior bom senso e equilíbrio nas decisões a contento de uma maior optimização da utilização do tempo, esse recurso de plafond finito.
Antes de decidir se vai dizer sim ou não, analise e reconheça a pessoa e o pedido:
Quem faz o pedido?
Porque motivo faz o pedido?
Em que circunstâncias / contexto faz o pedido?
Qual o histórico de pedidos?
Antes de terminar a análise, antecipe na equação as consequências da sua resposta.
E, acima de tudo, pratique um espírito prático:
Admita que o mundo vai continuar mesmo que diga que “não”;
Justifique a sua resposta;
Ofereça e disponibilize alternativas que possam gerar ganhos saudáveis para todas as partes;
Assuma a resposta e feche o capítulo evitando a “ruminação”, promovendo uma atitude positiva das partes envolvidas.
[1] Também chamado “ladrão do tempo” e/ou "desperdiçador de tempo"
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico












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