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A pedagogia dos processos de delegação nas equipas

  • 23 de ago. de 2017
  • 2 min de leitura

Embora a contradição possa acompanhar a primeira reflexão deste artigo é importante a sua referência. Temo que em alguns contextos – de espaço e tempo – os processos de delegação não sejam genuínos e frutíferos e que se convertam no antípoda que se desejava.


Delegar, a par de liderar, é um dom, um talento e nalgumas circunstâncias uma arte. Por isso falha, nalguns momentos, a grandiosa tarefa de delegar. Porque antecipadamente a posição se foca no “mandar” em detrimento do “liderar”.


O processo de delegar assenta na auto e hetero-confiança, que implica conferir a autoridade própria a outra(s) pessoa(s), sem que haja um alheamento ou demissão. Em génese o objectivo da delegação é conseguir que outrem concretize uma tarefa, tendo para isso o necessário poder de decisão, autonomia e autoridade. Neste sentido, existem, como compreendemos, condições necessárias apriorísticas para que a delegação possa ser possível.


O verbo delegar no cenário profissional deveria promover a autonomia e desenvolvimento sócio-profissional a par do sentimento de pertença e coesão que definem uma equipa. O exercício de delegar implica tempo de qualidade pelos seguintes motivos:

  • Processo prévio de conhecer as pessoas que integram a equipa na dupla dimensão de hard e soft skills

  • Momento de seleccionar a pessoa mais adequada para a tarefa a delegar

  • Etapa para transmitir a delegação (objectivos, timing, resultados)

  • Em circunstâncias especificas deve assumir-se como um processo gradual

  • Em alguns casos será necessário promover um “estágio” de empowerment (a pessoa seccionada pode sentir-se menos confiante e será necessário apostar em estratégias de confiança e motivação)

Uma das maiores mais valias da delegação é o caminho ascendente face à eficácia. Pressupõe-se, neste âmbito, a presença genuína da autonomia. É contraproducente e uma ofensiva à pedagogia entregar uma tarefa a alguém e dizer-lhe ipsis verbis como a deve executar. Se o fizermos estaremos a fazer tudo com excepção do delegar. Já Luís de Camões, nosso distinto autor, o advertia quando relembrou que “jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos.”

Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico

 
 
 

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