Uma das viagens mais importantes da nossa existência
- 26 de jul. de 2017
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Viajar pelos cinco continentes, conhecer a cultura e as pessoas é uma fonte inesgotável de conhecimento. Aprendemos pela vivência e registamos na nossa memória os cheiros, os sons, as paisagens. Sentimos o pulsar da vida das comunidades quando nos sentamos numa esplanada da Praça Jemaa El-Fnaa, em silêncio, a captar todo o bulício. Sentimos a grandiosidade quando percorremos os jardins do Taj Mahal. Sustemos a respiração quando estamos perto das cataratas do Niagara. Sentimos o desafio da língua quando tentamos comprar um bilhete de comboio de São Petersburgo para Tallin.
Todas estas viagens serão sempre um dossier arquivado na categoria temática do conhecimento e passível de ser consultado em qualquer momento.
Mas a viagem mais preponderante da nossa vida será sempre feita dentro de nós – a viagem do auto-conhecimento. Percorrermos os caminhos do nosso mundo interior e conhecermos os recantos, as ruas apertadas, os espaços amplos, os alicerces e os andaimes que sustêm a nossa arquitectura interior.
O auto-conhecimento é uma ferramenta essencial para que tenhamos consciência dos nossos pontos fortes, das áreas de melhoria, das expectativas, do percurso que desejamos trilhar na direcção do bem-estar e realização. Quanto melhor nos conhecermos e compreendermos, mais capacitados estaremos para conhecer e compreender os que nos rodeiam.
Este processo não é circunscrito a uma fotografia, a um frame isolado. Somos um filme, um conjunto de episódios que influenciam e moldam a nossa forma de pensar, sentir e agir. Todas as nossas emoções são uma evidência e uma resposta desse filme, onde diariamente acrescentamos novos episódios.
O auto-conhecimento é uma diáspora diária a que nos propomos, considerando-a como uma mais valia para o nosso relacionamento intra e inter pessoal. Permite-nos ter uma capacidade analítica e critica sobre os acontecimentos, investir e promover o nosso locus de controle interno. É um permanente salto qualitativo face ao dia anterior com o propósito de evoluir no dia presente.
Poderemos fazer esta viagem em modo de auto-gestão ou pela mestria de um guia habilitado para o efeito. Por vezes ter um guia ajuda a percorrer as ruas mais estreitas ou a vencer o medo de “andar de avião” dentro de nós mesmos. O que seja. Cada um escolherá a modalidade de viagem que melhor lhe servir. O importante é viajar e traçar um guia da viagem, um mapa de si mesmo, que permita uma orientação face a nossos desafios. Poderemos tirar quantas fotografias quisermos com a consciência que registarão apenas uma parte da realidade.
Importa pouco se viajamos muitas ou poucas vezes no nosso interior. Quantidade não é sinónimo de qualidade. Importa é viajar, com o interesse e motivação que será um investimento a longo prazo.
Termino com as palavras de Gordon Allport “tomar consciência de si mesmo é o processo mais importante que acontece na vida de uma pessoa”.
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico












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