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Emoções no local de trabalho: reconhecer ou negar?

  • 5 de jul. de 2017
  • 2 min de leitura

A melhor forma de iniciar este artigo é questionando o papel que as emoções exercem na nossa vida. A par de uma questão essencial: “Qual o paradigma em que nos posicionamos hoje face às emoções? No seu reconhecimento ou na sua negação?


Antes de podermos reflectir sobre esta questão, importa perceber o que integra este património. Existem muitos autores de referência, mas optarei por referir a abordagem de António Damásio, que distingue 3 tipos de emoções:

  • Emoções de fundo: vivenciadas por situações que implicam um esforço físico ou por uma circunstância que nos desafia, por exemplo na tomada de uma decisão. São exemplos destas emoções o bem-estar, mal-estar, calma ou tensão.

  • Emoções primárias/ universais: vivenciadas desde a infância, algumas delas inatas e extremamente úteis pois permitem uma reacção ao meio. São exemplos destas emoções o medo, a alegria, tristeza, raiva, surpresa e aversão.

  • Emoções secundárias / sociais: vivenciadas pela aprendizagem, no processo de socialização. São exemplos destas emoções a vergonha, ciúme, culpa e orgulho

A nossa vida é, sem dúvida, pulverizada permanentemente por este património interior que, por vezes, escapa aos nossos olhos e à nossa racionalidade. As emoções são um património, que nos torna seres únicos, capazes de expressar para além das palavras. Na actualidade, a centralidade deste património tem sido muito debatida, com várias abordagens que permitem a cada um de nós ter uma maior consciência da sua existência a par da sua necessária gestão. Parece, então, que estamos posicionados num claro paradigma de reconhecer.


Não obstante este reconhecimento, assalta-me a dúvida se é extensível aos contextos profissionais onde nos movemos. Aqui parece haver uma dualidade de posições.


No contexto profissional, onde passamos uma grande parte do nosso tempo de vida, somos, por vezes, forçados a esconder ou sublimar as nossas emoções, valorizando e enaltecendo a componente racional. Mas para o bem e para o mal, as emoções continuam a estar presentes e a influenciar – e em muitos momentos a comandar – a nossa racionalidade. Assim, poderia ser mais franco e eficaz o paradigma de as reconhecer e aproveitar essa percepção para debitar na melhor gestão da racionalidade.


Uma grande parte dos diferendos em contexto profissional surgem por uma ineficaz gestão das emoções – as próprias e as dos outros. Reagimos em grande quantidade à comunicação não verbal e, por vezes, já nem somos capazes de atentar na comunicação verbal – a componente que nos seria útil para gerir o diferendo. Volto a enfatizar que “a linguagem do corpo exprime todas as nossas emoções, as que queremos guardar para nós e as que queremos transmitir” (Turchet, 2013). Mesmo que as neguemos estarão sempre presentes e, em larga escala, a influir na nossa relação interpessoal.


Reconhecer as emoções em contexto profissional, incorporando-as no dia a dia, faz parte de um processo de “alfabetização”. E este processo só poderá ser encarado de uma forma - para apoiar na relação interpessoal. E a qualidade de vida no trabalho aumentaria, sem dúvida, de forma directamente proporcional.



Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico

 
 
 

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