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As equipas e os projectos não se criam em 3 segundos!

  • 14 de jun. de 2017
  • 2 min de leitura

Vivemos na era do “fast-tudo”. Pela nossa existência entram as vivências do fast-food, fast-music, fast-connection. Tudo se passa numa velocidade alucinante em que se privilegia a utilização rápida e eficaz (?), associada ao conceito do descartável. Não vou aqui delongar-me a abordar se esta é a forma mais adequada de uma vida com qualidade. Cada um de nós tirará as suas conclusões, como assim lhe convier.


Preocupa-me sim, que este modelo se aplique à vida das equipas e dos projectos que estas desenvolvem. As equipas são constituídas por pessoas e o seu modo de trabalho necessita claramente mais do que três segundos para que consigam, antes de mais, agregar-se em torno de objectivos comuns e, posteriormente, trabalhar para a sua concretização. A imagem da tenda que se lança no ar e que em três segundos nos dá a sensação de ter o “abrigo” montado não é, de todo, aplicável ao que se espera de uma equipa. Ter a estrutura montada não significa que esteja estável e funcional. É preciso planear a sua estabilização para que face a ventos mais ferozes a estrutura não se venha a perder.


As equipas têm, à semelhança de todos os organismos vivos, diferentes fases. Estas fases foram diligentemente descritas por Bruce Tuckman (1965), que nos apresenta um modelo com cinco etapas predefinidas (forming, storming, norming, performing e adjourning), cuja duração de cada fase dependerá das pessoas que integram a equipa, dos objectivos propostos e desafios inerentes.


O papel do líder é essencial em cada fase, mas tal não pode desresponsabilizar o papel que cada elemento da equipa deve protagonizar. Mas até este “simples” motivar e responsabilizar para o papel individual deve ser desenvolvido pelo líder.


É por isso uma tremenda arbitrariedade quando se pedem resultados imediatos à liderança – os 3 segundos! Neste registo a liderança fica constrangida pois estará a trabalhar num clima de pressão face a um objectivo que depende de um factor mutável – as pessoas.


Termino com uma frase de Gabriel Ginebra “quando se gerem pessoas, importam as formas, os tons, as nuances, os momentos e os contextos. Importa o objectivo e o subjectivo. Não reinam as relações mecânicas de causa e efeito” [1].


[1] in “Gestão de Incompetentes”

Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.

 
 
 

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