Formação ao longo da vida: parente pobre ou rico?
- 31 de mai. de 2017
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A importância que se atribui à formação ao longo da vida, como poderoso impulsionador da vida social e organizacional, tem, nos últimos anos, oscilado entre dois paradigmas antagónicos - ora se exalta a sua importância ora se a menospreza. Por vezes esta oscilação é visualizada na exaltação do discurso e no menosprezo das práticas.
Mesmo que vivamos situações contextuais de “défice excessivo”, que constrangem o investimento que as organizações podem afectar ao item orçamental da formação, este não pode ser negligenciado para segundo, terceiro ou nonagésimo lugar. Tal opção muitas vezes repetida deixa de ser uma opção para se converter num erro.
Muitos são os estudos que apontam para a importância da formação no crescimento das organizações. Mesmo que, cada colaborador traga o seu património académico e de experiência vivencial, podemos sempre investir na reciclagem de conhecimentos e, pela partilha interpessoal, adquirir novos conhecimentos e novas ferramentas que vão contribuir de forma directa para a melhoria do desempenho em posto de trabalho.
Dou por mim a reflectir que a desculpa para negligenciar a formação em contexto organizacional não se prende só com uma questão financeira, mas acima de tudo com uma questão de mentalidade e de estratégia – neste caso falta dela. Não abordarei as questões legais pois o código do trabalho regulamenta esta questão. Mais importante que cumprir a legislação é afirmar a nossa responsabilidade social sobre esta matéria. Não deveríamos fazer as coisas por decreto, mas sim porque avaliamos e concluímos da sua importância.
E continuo a reflectir sobre as vantagens de estimular nas equipas o desejo por investir na formação ao longo da vida. Se a nível organizacional o orçamento não permite garantir este direito, seria uma mais valia aceitar e reforçar as sugestões que os colaboradores apresentam sobre possibilidades de formação sem custos para a entidade empregadora. Face à impossibilidade de providenciar, só o facilitar seria o suficiente para criar valor.
Os tempos mudaram sem qualquer dúvida. Na actualidade o mercado de trabalho coloca desafios diferentes. E fazer face a estes desafios passa por, definitivamente, considerar a formação como um parente rico na dimensão pessoal, social e organizacional. Continuar a insistir no paradigma do parente pobre só contribuirá para um retrocesso que desejamos evitar ou, pelo menos, minimizar.
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.












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