A competência comunicacional constrói pontes
- 24 de mai. de 2017
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A comunicação tem uma centralidade na nossa vida, que, por vezes, não é correctamente percepcionada. Poderemos ser hábeis a falar, utilizando um património linguístico rico que caracteriza a nossa língua materna, mas tal não é traduzido como competência comunicacional.
A competência comunicacional, este poderoso instrumento ao nosso dispor na relação com os outros, tem dois eixos nucleares que necessitam de ser trabalhados em conjunto: capacidade para transmitir informação correctamente e capacidade para recolher informação correctamente.
Estando apenas o foco, em exclusivo, na capacidade de transmitir informação, poderá, por vezes, ser descurada a capacidade de recolher informação correctamente, isto é, a necessária confirmação se o outro recebeu de facto, em conteúdo e interpretação, as palavras que partilhei.
A capacidade de recolher informação correctamente é necessariamente acompanhada do exercício de escuta activa. Expressamos amiúde o conceito de escuta activa sem que nos debrucemos no que realmente integra. Esta capacidade, de elevada carga cognitiva, pressupõe a capacidade de trabalhar a percepção selectiva (a tendência para atentar e reter apenas o que nos interessa) e a capacidade de inteligibilidade. Como se traduz esta capacidade de inteligibilidade? Que atente para o que o outro me diz, simultaneamente através da comunicação verbal e não verbal, que incorpore esse conteúdo no meu esquema mental e que trabalhe em simultâneo duas qualidades de informação – a própria e a que foi transmitida por outro.
O desafio na comunicação é escutar primeiro para entender e só depois para responder. Tal atitude irá minimizar as resistências e as barreiras, que consciente ou inconscientemente, tecemos à volta da comunicação. Por vezes temos, de facto, uma teia ardilosamente elaborada por nós e pelos outros, que é necessário desconstruir a bem de uma comunicação que satisfaça ambas as partes.
Gostaríamos, num mundo ideal, de ter menos teias habilidosamente construídas pelo falar – não raras vezes transformadas em armadilhas - e mais pontes genuinamente construídas pelo comunicar.
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.












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