Para gerir pessoas é essencial gostar de pessoas!
- 3 de mai. de 2017
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Pode este título parecer um lugar comum ou um fait divers mas, de facto, é (quase) impossível gerir pessoas se, na essência, não existir a predisposição para gostar delas.
Quando falamos de pessoas, falamos de diversidade de formas de estar, ser e pensar. É relativamente fácil gostar das pessoas que são, estão e pensam como nós. O desafio surge quando lidamos com pessoas com experiências diferentes e com formas de agir e pensar diferentes. Esta diferença existe mesmo que nos unam os mesmos objectivos. Ignorar – e sublimar – esta diferença cria anticorpos, predisposições negativas e muitas forças de bloqueio.
Há, ainda e lamentavelmente, uma forma de sentir a gestão de pessoas associada a ter mais poder. Discordo em absoluto. Gerir pessoas é tão somente ter mais responsabilidade. E assumir essa responsabilidade – ainda que possa no imaginário ser associado a mais poder, em relação ao cargo ocupado – não nos pode desfocar do que realmente importa. Os projectos só avançam porque temos equipas, com uma característica essencial – a diferença que nos permite pensar e agir de forma criativa.
Retomo o título para enfatizar que gostar das pessoas com quem trabalhamos é um compromisso para que os projectos em que estamos envolvidos tenham o sucesso projectado. Não significa que tenhamos o mesmo grau de afinidade e cumplicidade – faz parte da nossa natureza identificarmo-nos mais com umas pessoas do que com outras – mas pressupõe que tenhamos o mesmo grau de respeito e aceitação com todas.
Quem assume papéis de liderança tem, à partida, que assumir que é capaz de lidar com a diferença e de a aproveitar em favor da equipa. Perdemos demasiado tempo porque obstaculizamos os projectos em função das relações. E quanto mais diferente é a pessoa com a qual se lida mais obstáculos – latentes ou manifestos – se criam. Todos nós somos levados a acreditar que é mais fácil gerir quem pensa igual a nós, mas isso é por si só uma barreira que nos inibe e nos afasta do foco.
Gostar de pessoas desafia-nos a uma atitude permanente de escuta, de atenção, de capacidade de aproveitar as diferentes posições, opiniões, ideias. Desafia-nos a analisar por outra perspectiva, sem descartar a mesma apenas porque foi emanada de alguém que é o meu “antípoda”.
No mapa das competências que se esboça actualmente, a criatividade é uma soft skill muito apreciada. Mas estaremos nós preparados para aceitar a criatividade, especialmente quando surge de uma pessoa literalmente diferente de nós?
Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico












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